sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A chapa O Santos Pode Mais, divulga candidato a vice, os empresários que a apóiam e põe a campanha nas ruas

Da esquerda para a direita, Luiz Roberto Serrano, presidente da Resgate, Odílio Rodrigues, candidato a vice, Luis Alvaro, candidato a presidente, e Álvaro de Souza, presidente do Conselho de Administração da Gol Linhas Aéreas


A chapa O Santos Pode Mais, de oposição ao atual modelo de gestão do Santos FC, que concorrerá às próximas eleições em 5/12, entrou completa em campo ontem, em Santos e em São Paulo.Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, o candidato a presidente que todos já conhecemos, anunciou oficialmente o seu companheiro de chapa, candidato a vice, Odílio Rodrigues Filho, Secretário da Saúde de Santos.

Mais: anunciou o grupo de empresários pesos-pesados que apóiam e fazem parte da chapa da oposição e darão suporte à formação de um fundo de investimentos entre R$ 25 milhões e R$ 40 milhões, que investirá no futebol do alvi-negro da Vila Belmiro, dando a partida para formação de um time forte, vencedor, que dispute os títulos dos torneios em que participar.

Alguns dos nomes dos empresários:

Álvaro de Souza, presidente do Conselho de Administração da Gol Linhas Aéreas e ex-presidente do Citibank;

Celso Loducca, presidente da Loducca Publicidade;

Eduardo Vassimon, membro do Conselho de Administração do BBA Itaú;

Fábio Barbosa, presidente do Banco Santander e da Febraban;
José Berenguer, vice-presidente Executivo do Banco Santander;

Cândido Bracher, vice-presidente do Banco Itaú;

Walter Schalka, presidente da Votorantim Cimentos;

Álvaro Simões, presidente da Impar;

Pedro Mello, presidente da KPMG;

Guilherme Leal, presidente do Conselho da Natura;

Luis Fernando Fleury, presidente da Cetip.

No dia seguinte à vitória da chapa de oposição, Álvaro de Souza colocará sua larga experiência financeira e administrativa, consolidada em sua longa e bem sucedida carreira internacional no Citibank, a serviço do equacionamento dos problemas financeiros do Santos. Esse saneamento será fundamental para que o Santos fortaleça sua presença no mercado do futebol, tanto dentro como fora de campo.

Álvaro de Souza e Álvaro Simões serão os líderes da captação de recursos para o fundo de investimentos, cujos fundamentos operacionais já estão desenhados. Esses recursos deverão ser direcionados só para a área do futebol.

Odílio Rodrigues Filho, Secretário de Saúde de Santos, foi candidato à Presidência do Conselho Deliberativo do Santos no biênio 2005/2006, mas por acreditar que todas as Comissões do Conselho, especialmente a Comissão Fiscal, deveriam ser eleitas livremente pelos membros do órgão, enfrentou forte oposição de Marcelo Teixeira, que lançou outro candidato. Odílio foi derrotado por apenas 16 votos, num colégio eleitoral de 300. Desde então, seu nome se firmou com uma das lideranças de oposição ao atual modelo de gestão imperante no Santos.

O pai de Odílio, Odílio Rodrigues, foi Diretor de Patrimônio do Santos na década de 90, sendo responsável pelo gerenciamento de todo o processo de melhoria das instalações de Vila Belmiro naquela época, como novo gramado, iluminação, nov lance de arquibancadas, CT, entre outros.

A candidatura de Odílio Rodrigues Filho a vice-presidente soma na Chapa O Santos Pode Mais o apoio de todas as correntes políticas do clube que almejam que o alvi-negro de Vila Belmiro trilhe novos caminhos a partir de 2010 e volte a brilhar nos cenários do futebol brasileiro e mundial.
A campanha está definitivamente nas ruas. Nosso programa, apresentado ontem à imprensa, será divulgado no hot site da campanha que entrará no ar em breve.

Até a vitória!!!!!!!

Blog do Juca Kfouri: Oposição santista repudia Luxemburgo

06/11/2009

NOTA DE REPÚDIO 

A chapa "O Santos pode mais" vem a público repudiar as recentes declarações do treinador Vanderlei Luxemburgo da Silva sobre as eleições presidenciais do clube.

Função de treinador é treinar a equipe. E, convenhamos, há algum tempo Vanderlei Luxemburgo da Silva deixou suas tarefas em campo em segundo plano.

Vanderlei Luxemburgo da Silva recebe um dos maiores salários do futebol brasileiro para conquistar resultados. Títulos. Vitórias.

Hoje, infelizmente para a nação santista, Vanderlei Luxemburgo da Silva cumpre todas as funções possíveis dentro da Vila Belmiro. Às vezes é manager. Às vezes é político. Nesta semana, virou o cabo eleitoral mais bem pago do Brasil. Técnico, faz tempo que não é.

Lamentável que o atual presidente do clube terceirize para um funcionário o dever de discutir o futuro do Santos.

Lançamos a Vanderlei Luxemburgo da Silva um desafio público: comparemos as histórias de vida, os escândalos, as investigações em Comissões Parlamentares de Inquérito.
Neste quesito, devemos reconhecer, Vanderlei Luxemburgo da Silva é recordista e ganha de goleada. Tem a experiência que nosso grupo de fato não tem.

Por outro lado, a performance de Vanderlei Luxemburgo da Silva como empresário é de dar pena. Montou com um sócio paranaense uma casa noturna há uma década. Rapidamente o negócio afundou.

Há dois anos, lançou com pompas o "Instituto Wanderley Luxemburgo". O resultado é uma penca de alunos lesados, professores com salários atrasados e parceiros desmoralizados.
É este empresário que, se Marcelo Teixeira ganhar, vai comandar o fundo de investimentos que ninguém sabe de onde vem e para onde vai.

Nossos parceiros são notadamente homens de sucesso. Comandam mega-empresas. Nossos investidores têm CPF, RG e endereço fixo.

E, como homens inteligentes e de sucesso, jamais deixariam o dinheiro que virá para reerguer o Santos nas mãos de alguém como Vanderlei Luxemburgo da Silva, sem duvida um treinador com sucesso na carreira, mas um fracasso estrondoso como empreendedor. 
Luiz Roberto Serrano 
Presidente da Associação Resgate Santista 
Por Juca Kfouri às 15h35

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Matt Damon, bom ator e defensor de boas causas


Sou fã do Matt Damon, adoro a trilogia Bourne. Talvez porque ele se pareça com meu filho mais velho, Gustavo. Gosto do seu estilo de atuação. Minha admiração aumentou depois que li uma entrevista dele ao New York Times.

Na entrevista, Matt Damon disse que se sente bem usando a sua fama apoiando causas públicas, embora sempre procure se envolver com temas apartidários. Ele ajudou a fundar a Water.org (http://www.water.org/), uma organização não-lucrativa que transformou centenas de comunidades na África, Ásia do Sul e América Central, fornecendo acesso à agua potável limpa e saneamento. São bens essenciais ao desenvolvimento.

Ainda segundo o jornal americano, ele não receia mostrar suas preferências políticas. Damon foi um boêmio esquerdista nos subúrbios de Boston. Quando criança, foi vizinho do historiador Howard Zinn e leu uma das primeiras cópias do seu livro, o best seller "História do povo dos Estados Unidos". Zinn também cientista político, ativista e dramaturgo, é adepto de idéias do marxismo, anarquismo, socialismo e social-democracia. Tem sido, desde os anos 60, uma figura marcante do movimento pelos direitos civis e do movimento pacifista nos EUA.

Nas últimas eleições americanas, ele expressou publicamente seu temor de que Sarah Palin ganhasse acesso "aos códigos nucleares", se fosse eleita presidente.

Ponto para ele.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nunca se criticou tanto Obama. Mas a reforma do sistema de saúde dos EUA está prestes a ser aprovada


De vez em quando, eu tropeço na imprensa com textos me indignam, em função da falta de conhecimento de articulistas que discorrem sobre realidades que não vivenciam, e seu hábito de repetir sem qualquer cerimônia as superficiliadades publicadas na mídia.

Hoje, foi o caso de artigo de Luis Felipe Condé, entitulado A Bolha, publicado na Ilustrada da Folha de S. Paulo: Começa assim:

"PROMETI PARA mim mesmo que não ia falar sobre o ridículo prêmio Nobel dado ao Obama, mas como não tenho palavra mesmo e como nunca cumpro promessas (principalmente feitas a mim mesmo, alguém que, afinal de contas, não merece todo esse deferimento moral), estou eu aqui capitulando e falando desse populista chamado Obama.

Quando foi eleito, escrevi nesta coluna que ele era uma bolha que provavelmente não ia dar em nada. Posso estar enganado, como quase sempre estou (sou um péssimo profeta), mas, até agora, responda-me, caro leitor, a que veio ele? Deveria sim se candidatar a secretário-geral da Unicef e ficar visitando crianças famintas na África. Seus dias estarão contados quando os americanos descobrirem que seu verdadeiro sonho é ser o primeiro presidente negro da Noruega".

No artigo, cuja íntegra pode ser lida aqui, ele diz que Obama é só imagem e está fracassando em tudo o que faz. Se apega ao episódio das críticas do governo Obama à Fox News, que passou a ser tratada pela Casa Branca como partido político não como empresa jornalística. Recomendo ao Pondé assistir à Fox News e medir o grau de jornalismo que há no seu noticiário. Mas, em resumo, diz que Obama fracassará. Se entendesse de política, e não fosse um mero repetidor de matérias ligeiras, influenciadas pela mídia conservadora norte-americana, não diria isso.

Paul Krugman, o consagrado economista, Prêmio Nobel, crítico afiado das administrações americanas, publicou no New York Times o artigo "Momento de definição", mostrando que a reforma do sistema de saúde nos EUA está a ponto de ser aprovada. Diz o início do artigo:

"Ok, pessoal, este é o momento. É o momento de definição para a reforma do sistema de saúde.
Os esforços do passado para dar aos americanos o que cidadãos de qualquer outra nação avançada já têm - acesso garantido à assistência básica - terminaram não com um estrondo, mas com um choramingo, geralmente morrendo no comitê sem nem mesmo chegarem a ser votados.
Mas desta vez, projetos de saúde pública parecidos em linhas gerais, conseguiram passar por diversos comitês em ambas as Câmaras do Congresso americano. E na quinta-feira, Nanci Pelosi, a porta-voz da Câmara, revelou a legislação que ela enviará para votação na Câmara, onde quase certamente passará. Não é um projeto perfeito, nem de longe, mas é um projeto de lei mais forte do que quase todos esperavam surgir até poucas semanas atrás. E levaria a uma cobertura quase universal.

Como resultado disso, todos na classe política - com isso quero dizer políticos, pessoas na mídia jornalística e assim por diante, basicamente qualquer um que esteja em uma posição de influenciar a etapa final desta maratona legislativa - têm que fazer uma escolha agora. O aparente sonho impossível da reforma da saúde básica está a apenas alguns passos de se tornar realidade, e cada jogador precisa decidir se ele ou ela irá ajudá-lo a atravessar a linha de chegada ou ficar no seu caminho".



Pois é, a reforma do sistema de saúde é o maior desafio enfrentado, no momento, por Obama. Muitos, e a imprensa publicou linhas e linhas sobre isso, alimentada pelos conservadores, não acreditavam que ela ia passar, diziam que Obama ia perder. E vai passar, o que será um marco na história americana.

Para Pondé, a reforma do sistema de saúde deve ser uma das políticas populistas de Obama, não é ?

Obama está começando a dizer a que veio e a bolha vai estourar em cima do Pondé.

Um pouco mais de Penélope Cruz, com Pedro Almodóvar

Penélope Cruz e Pedro Almodóvar: almas gêmeas cinematográficas

Mark Harris, do New York Times, de Nova York

Sentada numa suíte de hotel no East Side no começo de outubro, de frente para o diretor e escritor Pedro Almodóvar, Penélope Cruz pegou uma revista grande com papel brilhante e olhou com admiração para a foto de Uma Thurman na capa. "Ficou bom", diz ela, mostrando-a para Almodóvar, com os olhos buscando sua aprovação.

Ele se inclina para olhar, observando com entusiasmo a pose de Thurman e seus cabelos loiros curtos. "Sim, sim", diz ele para Cruz, acelerando do inglês para o espanhol enquanto sua mente começava a percorrer trechos de celulóide. "As atrizes, quando chegam perto dos 40, cortam seus cabelos. Isso sempre as faz parecer mais jovens. Lembra-se de Sharon Stone? Como ela cortou o cabelo quando tinha uns 40, 42? Ficou bom!"

Por um momento, ele parecia fascinado pela capa, à medida que a imagem de Thruman entrava em sua mente, para ser colada e indexada entre milhares de outros retratos mentais de atrizes. "É verdade", disse ele, rindo. "Sou verdadeiramente fascinado por atrizes, por tudo o que elas fazem, até pelo camarim, que é o sanctum sanctorum de qualquer atriz. E sou especialmente fascinado por atrizes que interpretam atrizes.

"O que é exatamente o que Cruz faz em "Abraços Partidos", a quarta colaboração entre ela e Almodóvar - e, segundo ela, a mais difícil. No filme, que fechou o Festival de Cinema de Nova York neste outono e estréia nos cinemas em 20 de novembro, ela interpreta Lena, amante de um homem rico, que tem a chance de realizar, por um breve momento, seu sonho há muito acalentado de se tornar uma estrela de cinema ao se envolver romanticamente com um diretor (Lluis Homar).

domingo, 1 de novembro de 2009

Serra explica a estratégia da indecisão

Ao adiar a definição sobre a candidatura à Presidência, José Serra trabalha à vontade nos bastidores e evita desgastes e cobranças

Por Paulo Moreira Leite, Leandro Loyola e Eumano Silva com Victor Ferreira, na revista Época desta semana.

Enquanto a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se esforça para exibir ao país sua candidatura ao Planalto em 2010, o governador de São Paulo, José Serra, faz o contrário. Na semana passada, numa inauguração no Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo, Serra falou pouco com dirigentes da instituição, poupou sorrisos e deu apenas um abraço numa possível eleitora. Passou o evento falando ao celular e lendo documentos. Na saída, nada de cumprimentos.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Serra afirma que o PSDB só deverá escolher seu candidato à Presidência da República em março do ano que vem. O governador de Minas, Aécio Neves, que também quer a vaga de candidato, emprega a tática oposta – e cobra uma definição. Em tom impaciente, Aécio declarou na semana passada que esperará até o fim do ano – caso contrário, vai concorrer ao Senado. Serra aguardou dois dias para responder. Numa entrevista, ele perguntou à reporter: “Você sabe se o Ciro Gomes (PSB) vai ser candidato? A Dilma já se declarou candidata? Então, por que essa ansiedade?”. E disse: “Minha impaciência é com fila de elevador, banheiro de avião. Tenho nervos de aço na política”.

Não é só uma questão de temperamento, contudo. ÉPOCA teve acesso a um documento de circulação exclusiva entre Serra e seus auxiliares, em que se podem ler argumentos claros e lógicos a favor do silêncio. “A quem lidera as pesquisas, interessa manter mais ou menos congelada a situação”, diz o texto. “Líder de pesquisa que entra em campo cedo demais passa a receber com muita antecedência toda a carga de campanha negativa e de desgaste.” Com ironia, o documento pergunta: “Causa menos dano se expor e apanhar por oito meses do que por quatro?”. Em outro trecho, o documento diz que, diante da campanha de Dilma, Serra está “em situação dramaticamente assimétrica: tem menos exposição na mídia nacional, menos mobilidade, menos máquina, menos recursos, menos espaço para se defender e contra-atacar do que Lula/Dilma”.

“A postura do Serra revela uma estratégia sólida e correta”, diz o cientista político Amauri de Souza, da consultoria MCM. “Ele evita o desgaste imediato. O candidato que está na frente só dá a cara a tapa se for idiota.” Amigos de Serra dizem que os argumentos estratégicos têm a finalidade de esconder uma dúvida sobre o papel do governador em 2010: disputar uma eleição duríssima para a Presidência ou enfrentar uma reeleição que parece assegurada em São Paulo? No Palácio do Planalto, conselheiros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem que Serra sabe que terá uma disputa dura pela frente – e quer manter uma porta aberta para abandonar o barco. “A eleição é favorável para nós”, diz um ministro. “Dilma vai crescer com o tempo, quando a população associá-la a Lula. É bom que a Dilma não cresça muito até janeiro. Senão, o Serra acaba desistindo.”

“Por que essa ansiedade? Tenho nervos de aço na política” JOSÉ SERRA, governador de São Paulo. No Palácio dos Bandeirantes, porém, a ideia de que Serra possa deixar de concorrer ao Planalto chega a ser vista como absurdo. “Serra é popular, tem currículo como homem público, está fazendo um bom governo e ninguém coloca em dúvida seu conhecimento dos problemas nacionais”, diz uma auxiliar com mais de uma década ao lado do governador. “Alguém imagina que essa pessoa deixará de concorrer à Presidência na melhor oportunidade de sua vida? É bom para ele, bom para o PSDB e bom para o país.”

Com mudanças de tom e de estilo, o ambiente por lá é esse. Longe dos olhos do eleitorado, vive-se uma típica conjuntura de pré-campanha, com conversas sobre alianças estaduais, candidatos a vice, muitas fofocas e cenas de ciúme. Em encontros fechados, atribuem-se dúvidas e questionamentos sobre a campanha de Serra a uma entidade que o círculo próximo do governador designa pelo apelido de “Franklin Press”. Referência ao jornalista Franklin Martins, ministro das Comunicações e um dos mais importantes conselheiros de Lula e de Dilma, a expressão designa o emaranhado de repórteres, comentaristas, analistas políticos e outros personagens da mídia que fazem perguntas e levantam assuntos que não convêm aos interesses políticos do governador. Eles alimentam aquilo que os marqueteiros políticos chamam de noticiário negativo. Como sempre acontece, a expressão “Franklin Press” reúne uma mistura de elementos da vida real e de substâncias de teorias conspiratórias.

Numa democracia em que o presidente da República detém 80% de aprovação popular, é em parte natural que a mídia espelhe essa situação. E Serra sempre foi um político mais popular entre editores e empresários do que entre repórteres e redatores. Mas atribuir toda crítica e questionamento à “Franklin Press” é uma forma de tentar se desviar das críticas para se colocar no papel de vítima da mídia, atitude comum a quase todo político.

Embora seja o preferido pela maioria da cúpula do PSDB, até agora Serra não encontrou uma forma elegante de tirar Aécio do caminho. Convencido de que um gesto duro poderia afastar o eleitorado mineiro de sua candidatura, Serra prefere tratá-lo de forma branda, certo de que Aécio acabará disputando uma cadeira no Senado. A hipótese de convidar Aécio para vice é encarada como utopia agradável, mas de curta duração. Na vida real, examinam--se outras possibilidades, como lançar um vice do Nordeste, com a função de servir de contrapeso ao perfil paulista de Serra. Há nisso lógica, mas também há dúvidas – e há muita conversa pela frente. Teme-se que a rivalidade entre baianos, pernambucanos e cearenses, ou entre alagoanos e sergipanos, anule as vantagens de qualquer escolha feita no Nordeste.

Há, ainda, uma emergência mais séria. Há anos as lideranças de maior musculatura no DEM confirmam a preferência por Serra em relação a Aécio. Mas, recentemente, o deputado Rodrigo Maia, do Rio de Janeiro, anunciou apoio a Aécio. Não é um fato menor. Maia é o presidente do DEM, cargo obtido com auxílio do pai, o ex-prefeito Cesar Maia. Hoje, com a estrela de Cesar em declínio, a autoridade do filho perdeu o brilho. Teme-se, portanto, uma reação imprevisível do DEM do Rio, onde o apoio a Aécio parece um aviso transitório para o partido fazer corpo mole na campanha, beneficiando Dilma.

No Palácio dos Bandeirantes, acredita-se que essa crise seja produto de alguns episódios folclóricos. Numa ocasião, ocorreu um jantar em palácio, com Serra e o veterano do DEM Jorge Bornhausen à mesa. Foi um encontro improvisado, fora de programa. Rodrigo Maia estava na cidade, não foi convidado – e não gostou. Pouco depois, numa viagem ao Nordeste, Rodrigo pediu a Serra que lhe desse uma carona no avião do governo do Estado. Por um lapso da assessoria do governador, Rodrigo ficou sem lugar – e , de novo, não gostou. Como sabem os estudiosos da vida pública, as lutas políticas nem sempre envolvem conflitos de ideias ou opções de interesse público. Muitas vezes pesam problemas que parecem insignificantes. Na semana passada, o destino do DEM era uma preocupação no Palácio dos Bandeirantes.

Elio Gaspari: Lula acha que chega à eleição em triunfo


(Da coluna de Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 1/11)

Com a economia rodando a 7%, desemprego em queda e consumo em alta, basta que Dilma não tropece

NA SEMANA PASSADA Lula teve uma conversa com empresários e parlamentares no Palácio da Alvorada e desenhou um cenário triunfante para a eleição de 2010.Nosso Guia acredita que no segundo semestre a economia estará crescendo a 7%, com aumento da renda dos trabalhadores e expansão do consumo.

Será um cenário de sonho para quem quer preservar seu patrimônio eleitoral no andar de baixo.No campo político Nosso Guia convenceu-se de que a oposição será obrigada a aceitar uma eleição plebiscitária, cuja expressão mais simples será a comparação com os oito anos tucanos de Fernando Henrique Cardoso.

Lula pretende eleger Dilma Rousseff colando no candidato da oposição o rótulo de continuador da experiência tucana e apresentando-a como continuadora de seu governo.Falta combinar com os russos, mas, olhando-se para o estado de paralisia física e cerebral em que caiu o PSDB, Lula conseguiu o melhor dos mundos. Falta um ano para a eleição e só há um jogador em campo: ele

Com a economia rodando a 7%, desemprego em queda e consumo em alta, basta que Dilma não tropece